Os pregões de Nova York registraram ganhos impressionantes na segunda-feira, com três índices principais subindo acentuadamente e o S&P 500 atingindo seu maior valor desde o início de março. O motivo desse otimismo foi o anúncio de uma flexibilização temporária das tarifas entre os EUA e a China, uma medida que os investidores consideraram como um possível ponto de inflexão no prolongado conflito comercial.
De acordo com uma declaração conjunta, Pequim e Washington concordaram em reduzir unilateralmente as tarifas mútuas por um período de três meses. Os Estados Unidos estão prontos para reduzir as tarifas sobre os produtos chineses de 145% para 30%, enquanto a China reduzirá as taxas sobre os produtos americanos de 125% para 10%.
Os mercados financeiros receberam a notícia com alívio: os ativos tradicionalmente considerados "portos seguros" ficaram em segundo plano, dando lugar a investimentos mais arriscados. No entanto, o entusiasmo dos investidores ainda é moderado - os participantes do mercado estão esperando por detalhes específicos sobre as negociações futuras e o destino final da política tarifária.
A situação começou a mudar depois de 9 de abril, quando Washington concedeu um adiamento de tarifas por 90 dias para todos os países, exceto a China. Um impulso adicional veio de relatórios corporativos sólidos e do acordo comercial parcial entre os EUA e o Reino Unido, concluído na semana passada. Estes fatores permitiram que os índices S&P 500 e Nasdaq recuperassem gradualmente as posições de perdas no início do mês.
Os mercados de ações dos EUA subiram com confiança: os investidores estão voltando a atuar ativamente em meio à diminuição dos temores.
O pregão de segunda-feira trouxe um crescimento impressionante para os índices de ações dos EUA - o maior salto em um dia desde o início de abril. Os principais indicadores do mercado acionário demonstraram não apenas crescimento, mas também superaram os principais níveis técnicos, que os investidores perceberam como um sinal de uma possível mudança na tendência. O S&P 500, em particular, subiu acima de sua média móvel de 200 dias pela primeira vez em um mês, o que tradicionalmente é visto como um sinal positivo.
O VIX, índice que mede a volatilidade do mercado, caiu abaixo de um nível psicologicamente importante.
Após atingir 60 em abril por conta das tensões tarifárias, o Índice de Volatilidade da CBOE — conhecido como o "termômetro do medo" de Wall Street — caiu abaixo de 20 pela primeira vez desde o final de março. Isso pode indicar o retorno da confiança dos investidores e uma redução nas expectativas negativas.
Com o apetite por risco em alta, os metais preciosos perderam atratividade. O ouro, tradicionalmente visto como proteção em tempos de instabilidade, caiu cerca de 2,6%, refletindo a mudança de humor no mercado. Quem está ganhando: Tecnologia e varejo
A maioria dos setores registrou ganhos, com destaque para as empresas de tecnologia e o setor de bens de consumo.
Dos 11 setores que compõem o S&P 500, 10 fecharam em alta. Os maiores destaques foram:
A única exceção foi o setor de utilities (serviços públicos), que perdeu atratividade com o aumento do apetite por risco, caindo 0,68%.
As ações da Apple (código: AAPL.O) subiram com força, registrando alta de 6,3% após rumores de que a empresa pode revisar sua política de preços para os novos modelos de iPhone previstos para o outono. Os investidores interpretaram isso como um sinal de que a Apple pretende aumentar sua margem de lucro e reforçar a imagem premium de seu principal produto.
A maioria das empresas já divulgou seus balanços financeiros — agora, os olhos se voltam para o maior varejista do mundo.
Com mais de 90% das empresas do S&P 500 já tendo divulgado seus resultados, a próxima grande expectativa é o relatório da Walmart (WMT.N), previsto para os próximos dias. O mercado está atento para ver como a gigante do varejo está lidando com a pressão inflacionária e as mudanças no comportamento do consumidor.
As ações da NRG Energy (NRG.N) dispararam +26,2% em um único dia, liderando os ganhos entre os componentes do S&P 500. O motivo foi o anúncio de um acordo com a LS Power: a empresa comprará ativos de geração de energia no valor de US$ 12 bilhões. A aquisição deve fortalecer a posição da NRG no setor de infraestrutura energética e ampliar significativamente sua atuação no país.
Vários dirigentes do Federal Reserve, incluindo o presidente Jerome Powell, devem fazer discursos públicos nos próximos dias. Suas falas podem oferecer pistas sobre os próximos passos do banco central, especialmente diante da incerteza quanto à inflação e ao crescimento econômico.
Os investidores apostam que o Fed comece a cortar juros no outono.
Analistas e operadores estão precificando dois cortes de 25 pontos-base na taxa de juros do Fed até o fim de 2025. De acordo com a LSEG, o primeiro corte pode ocorrer já em setembro, o que daria mais fôlego às ações — especialmente às de crescimento — e sustentaria o rali atual.
Suspensão Tarifária entre EUA e China Surpreende Positivamente. O alívio nas tensões entre as duas maiores economias do mundo provocou uma forte recuperação nos mercados asiáticos. Isso ficou especialmente evidente nos índices japoneses, que, após as boas notícias vindas dos Estados Unidos, registraram altas expressivas em Tóquio, embarcando na onda de otimismo global.
Uma publicação de Donald Trump nas redes sociais sobre os preços inflacionados de medicamentos nos EUA gerou uma reação imediata no mercado japonês, derrubando as ações de empresas farmacêuticas nesta segunda-feira. No entanto, a posterior sinalização de que o presidente está focado principalmente na regulação de preços de medicamentos importados reverteu rapidamente a tendência, e o setor de saúde no índice Nikkei começou a recuperar terreno.
Em meio à volatilidade nos demais setores, o índice farmacêutico europeu SXDP tem se destacado este ano, superando com segurança o índice pan-europeu STOXX. O setor demonstrou resiliência diante de riscos geopolíticos e econômicos, tornando-se um porto seguro para investidores em busca de estabilidade.
O mercado reagiu imediatamente à polêmica declaração de Trump sobre um "remédio gordo supervalorizado" — uma possível referência aos injetáveis para obesidade da Novo Nordisk (NOVOb.CO) e Eli Lilly (LLY.N). As palavras sinalizam um possível esforço para cortar gastos governamentais com esses medicamentos nos EUA — ou até mesmo pressão sobre fabricantes estrangeiros, especialmente europeus.
A gigante alemã Bayer AG (BAYGn.DE) divulgou seus resultados trimestrais, e o mercado espera ouvir da empresa uma estratégia clara para enfrentar a pressão global sobre os preços da saúde. Nos próximos dias, analistas estarão atentos aos detalhes das previsões e a eventuais revisões nos planos corporativos.
A moeda americana mostra resiliência após o rali impulsionado pelas notícias comerciais. O dólar enfraqueceu levemente durante a sessão asiática, mas mantém boa parte dos ganhos recentes frente a moedas-chave como o iene, euro e franco suíço. O movimento foi favorecido pela trégua temporária nas disputas tarifárias entre EUA e China. Ainda assim, investidores seguem cautelosos: o adiamento das tarifas por três meses não resolve todas as incertezas.
Apesar do rápido crescimento no início da semana, as bolsas globais estão mostrando sinais de arrefecimento. Os futuros dos índices europeus apontam para uma abertura moderada, enquanto nos EUA, os especialistas esperam um leve recuo após uma forte alta. Os investidores preferem esperar por novas referências.
O Instituto Econômico ZEW está se preparando para publicar seus índices de expectativas de negócios de maio - e os analistas esperam um retorno do otimismo entre os investidores na Alemanha. Lembre-se de que, em abril, os números atingiram um recorde desde o início do conflito na Ucrânia, em grande parte devido aos temores causados por disputas comerciais.
Os investidores dos EUA estão prendendo a respiração antes da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC). O relatório será um fator decisivo para avaliar o ritmo da inflação e as possíveis ações do Fed. Atualmente, o mercado está precificando um corte de 57 pontos-base na taxa até o final do ano, abaixo dos mais de 100 pontos-base de apenas um mês atrás. Qualquer desvio da previsão poderia levar a uma forte reavaliação dos ativos.
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