Os detentores do iene japonês provavelmente suspiraram de alívio ao fim de mais um ano. Em 2025, o iene conseguiu se recuperar ligeiramente frente ao dólar americano enfraquecido. Após um segundo semestre fraco (cerca de −7,5% em relação à média do G10), permanecia a dúvida: a moeda se tornaria a segunda pior performance dentro do grupo G10?
O iene continua sob pressão devido a desafios fiscais e ao aumento das tensões com a China. Em dezembro, repetiu-se um padrão conhecido: o ministro das Finanças do Japão afirmou que as autoridades estavam prontas para adotar medidas decisivas contra flutuações cambiais que se afastem dos fundamentos. Esse tipo de advertência tende a se intensificar sempre que o iene se enfraquece de forma acentuada. No entanto, intervenções efetivas geralmente exigem várias semanas de retórica crescente e, no momento, não parece provável uma nova queda abrupta da moeda.
Surge então a pergunta: qual parte do movimento do iene está desconectada dos fundamentos? No fim do ano, dois fatores pesaram negativamente: um pacote de estímulo governamental inesperadamente grande elevou as preocupações com a estabilidade financeira do país, enquanto as tensões com a China se intensificaram. Autoridades japonesas ficaram particularmente irritadas com declarações do primeiro-ministro japonês sobre Taiwan. Embora essas falas não fossem novas, apenas reiterando posições anteriores, Pequim parece ter escalado a situação. Nesta semana, a China impôs restrições às exportações de bens de uso dual para o Japão. Para uma economia real já enfraquecida, trata-se de mais um golpe relevante.
Atualmente, é difícil prever quando o conflito com a China irá arrefecer ou quando o iene poderá se recuperar de forma mais consistente. Também não é simples imaginar que o Japão resolverá esse impasse com facilidade. Dados salariais decepcionantes divulgados nesta manhã tornam ainda menos provável a continuidade de novos aumentos nas taxas de juros. Quem espera um fortalecimento expressivo do iene terá, por ora, de aguardar uma redução das tensões geopolíticas. Resta torcer para que o conflito não se agrave. Em última instância, o governo chinês poderia intensificar ainda mais o confronto impondo uma proibição total às exportações de terras raras, o que representaria um golpe significativo para o iene.
Do ponto de vista técnico, o par USD/JPY tenta romper o nível redondo de 157,00 em meio à força generalizada do dólar americano. Caso consiga se manter acima desse patamar, os preços poderão avançar facilmente até a máxima do início do ano, em torno de 157,30, após a qual o par poderia desafiar o nível psicológico de 158,00.
Por outro lado, o suporte imediato encontra-se na EMA de 14 dias, em torno de 156,50. A perda desse nível poderia empurrar o par para a SMA de 20 dias, no caminho ao nível redondo de 156,00, abaixo do qual os touros começariam gradualmente a perder o controle.
Por enquanto, no entanto, os osciladores no gráfico diário permanecem positivos, sugerindo que os compradores ainda conseguem sustentar o movimento.
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